“Uma honra particular, enquanto profissional e enquanto cidadão” Santiago Macias, o novo director do Panteão Nacional

“Uma honra particular, enquanto profissional e enquanto cidadão” Santiago Macias, o novo director do Panteão Nacional

Depois de termos noticiado ontem, que Santiago Macias tinha sido admitido, pela Direcção Geral do Património Cultural, como o novo director do Panteão Nacional, o mesmo deu uma entrevista à Planície onde explica o seu processo de candidatura e as prespectivas para este novo cargo.

Fez parte da uma lista final de 8 candidatos admitidos. “A lista final foi aquela que foi entrevistada pelo júri. Nós no concurso tínhamos que apresentar, para além do curriculum, uma proposta de trabalho, sobre o que se pretendia desenvolver, nos monumentos, que estavam a concurso, entre os quais se inclui o Panteão”. Sublinhou Santiago Macias. E acrescenta que “havia, depois uma entrevista final de selecção, com um júri constituído por cinco pessoas. Colocaram a cada participante deste concurso, questões relacionadas com o projecto a desenvolver e com o percurso de trabalho que ficou para trás em termos de carreira”.

O historiador sublinha que “considero uma honra particular, enquanto profissional e enquanto cidadão, poder vir a dirigir o Panteão Nacional. É um monumento, que tem uma carga simbólica muito própria, de referência a nível nacional. É o sítio que foi escolhido para perpetuar a memória de alguns dos portugueses de maior relevo, aqueles que são essenciais à construção da nossa memória colectiva”.

Santiago Macias em relação ao novo cargo que vai assumir, refere que “nos próximos anos irei empenhar-me e devotar-me a fundo a essa tarefa”. E sublinha que “toda a experiência que fui acumulando ao longo da vida, incluindo a parte autárquica em Moura ao longo de 12 anos, é importante para perspectivar o trabalho, para fazer avaliações sobre o que é necessário em termos do monumento e para tentar projectar o Panteão, dentro e fora de portas”.

Ainda sobre a experiência autárquica, salienta que “foi útil para dar essa perspectiva e para me fixar bem. Nessa medida, considero de particular importância, que haja uma ligação do Panteão e daqueles que lá estão e do que foi o seu legado em termos de cidadania, às camadas mais jovens”.  E adianta que “nós, não podemos desligar os nossos monumentos, não podemos desligar a nossa memória colectiva, daquilo que é a aprendizagem, porque é uma passagem de testemunho, para as novas gerações. Daí que uma das vertentes do trabalho, incida precisamente na juventude.”

O agora director do Panteão acrescenta que uma outra vertente importante do trabalho que vai desenvolver “é a ligação dos municípios, de onde são oriundos, àqueles que lá estão, que no fundo, estamos a homenagear, tem que haver uma ligação, dos mesmos ao monumento. Não posso ter uma perspectiva impositiva, mas tenho a certeza, que todos esses municípios se associarão de boa vontade e com entusiasmo ao que o Panteão vier a desenvolver, para homenagear aqueles que são efectivamente os nossos melhores dos nossos maiores”.

O novo director, é professor, historiador e investigador, nasceu em Moura em 1963, licenciou-se em História de Arte em 1985, Mestre em História Medieval em 1995, doutorado em História pela Universidade de Lyon, em 2005, docente especializado do Curso de Mestrado em Património da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, com vasta experiência em museologia, comissariado de exposições e coordenação de publicações. Dirigiu escavações em Mértola e Moura e foi presidente e vereador da Câmara Municipal de Moura.

O Panteão Nacional destina-se a homenagear e a perpetuar a memória dos cidadãos portugueses que se distinguiram por serviços prestados ao País, no exercício de altos cargos públicos, altos serviços militares, na expansão da cultura portuguesa, na criação literária, científica e artística ou na defesa dos valores da civilização, em prol da dignificação da pessoa humana e da causa da liberdade. As honras do Panteão podem consistir na deposição, no Panteão Nacional, dos restos mortais dos cidadãos distinguidos ou na afixação, no Panteão Nacional, de lápide alusiva à sua vida e à sua obra.

O Panteão Nacional foi criado no ano de 1836, e encontra-se instalado em Lisboa, na Igreja de Santa Engrácia.

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