A política de 2021 já começou

A política de 2021 já começou

Como ninguém poderá dizer que o ano de 2020 foi um bom ano, muito antes pelo contrário, foi péssimo, em todos os sentidos, folheando jornais e vendo e ouvindo TV, parece que, além de todos desejarem a chegada rápida de 2021, alguns já se comportam como se estivessem nesse novo ano. Exemplifico com o que observei no último número do jornal A PLANÍCIE (de Novembro pp), onde quase todos os articulistas de opinião, partindo de um seu comentário ao Orçamento do Estado para 2021, tecem considerações sobre o que se passará no novo ano. A maioria abordando as autárquicas do final do ano (esquecendo a eleição presidencial de Janeiro pf), como são os casos do “novo caminho” para o nosso concelho (de André Linhas Roxas), do “orçamento para investimentos” sem qualquer um para Moura (de António Gomes), do “dever de quebrar o silêncio” sobre a actual gestão camarária (de Santiago Macias) e, até, o meu “orçamento de mau Estado”.

   As facas começam a ser afiadas e as armas a serem preparadas para as eleições autárquicas em Moura, como em muitos outros concelhos do país, sendo um dado adquirido que, com maior ou menor votação, o presidente Marcelo será reeleito, pelo que esse tema não interessa discutir. Moura, embora relativamente menor em população e menos importante economicamente do que muitos decénios atrás, ainda é um dos principais municípios do Alentejo, não merecendo o que sucessivas gestões camarárias estão deixando como herança para os vindouros. Não se deve esquecer o mau feito pelas gestões do Estado Novo, mas o feito, e/ou o que se deixou por fazer, no tempo democrático (pós 25 de Abril), também não abona os eleitos, sempre saídos do conjunto PS e PCP (disfarçado em CDU). Sente-se insatisfação por todo o lado, provavelmente agravada pela crise pandémica que se vive. Mas a COVID está muito longe de tudo justificar, nos governos central e municipal. Os ataques mútuos e acusações à respectiva anterior gestão camarária são sempre os mesmos, entre aqueles dois partidos, onde nada de fundamental muda, apenas detalhes novos, “vírgulas”, segundo um mestre que tive. É hora de mudar, de se tentar uma nova opção, elegendo quem ainda não está comprometido com o nosso passado concelhio.

   Que 2021 venha corrigir 2020, com vacinação para a COVID oportuna e eficiente, o que, sinceramente, lamento escrever que duvido. É tarefa muito mais complicada do que a da vacinação para a gripe sazonal, a qual correu péssimamente, inclusive, com o facto de nem toda a população de risco ter sido vacinada. Como se vai acreditar agora que tudo está preparado, porque isso também nos foi dito (pelo presidente e pelo governo) para a chegada do coronavírus (primeira e segunda vaga) e para a vacinação da gripe, sabendo nós como fomos enganados? No governo central também tem de haver mudanças, mesmo correndo-se o risco de uma crise política no final de 2021, quando ainda deverá ser mais difícil aprovar um orçamento para 2022, do que o foi agora para o de 2021.

   Se, como se espera, a crise sanitária estiver melhor controlada, que em 2021 se recuperem empregos perdidos, se mudem paradigmas de trabalho (para a dita “transição digital”), se financie (com os fundos europeus) quem produz, emprega e paga impostos, se cuide melhor de quem (empresas e famílias) tudo perdeu na pandemia, se combata a corrupção acelerando a justiça, para se acabar a impunidade (justiça tardia não é completa), se vote conscientemente e de boa fé nas autárquicas e, enfim, que haja mais saúde, felicidade e paz de espírito em todos os lares portugueses.