Truques

Em Portugal associamos a facilidade de expressão, a verborreia e até alguma desonestidade intelectual como características naturais para se ser bom politico e depois temos aquilo que escolhemos, porque, mesmo inconscientemente, sentimo-nos atraídos para votar em pessoas com esse tipo de características. Existe uma secção de um conceituado site noticioso que faz a avaliação, em termos de verdadeiro ou falso, de diversas afirmações de pessoas e mesmo de publicações nas redes sociais, passe a publicidade, estou a falar do “Polígrafo” do site Sapo, onde para cada classificação de verdadeiro ou falso é explicado o porquê, com factos verificáveis por qualquer um de nós, não meras opiniões ou apreciações. Se formos dar uma vista de olhos a essa secção verificamos que a esmagadora maioria, quase totalidade, das afirmações de membros do governo e dos seus apoiantes a defender a actual governação, seja no que dizem que fizeram, seja sobre a situação do país ou até nas acusações ao governo anterior, são falsas, o que é obviamente grave, ou melhor, seria grave se em Portugal se exigisse honestidade intelectual aos políticos. Mas não é apenas por palavras que nos iludem, já aqui falei das cativações, uma forma de parecer que se vai dar dinheiro para um determinado serviço público e depois não dar, e o mais recente truque do governo para não investir o que prometeu, que é abrir concursos públicos com cadernos de encargos com valores tão baixos que nenhuma empresa concorre porque teria prejuízo ao fazer a obra, portanto o governo aparentemente quer cumprir, abre o concurso, mas esse fica deserto porque não há interessados, logo acaba por não gastar o dinheiro, mas teoricamente até lançou o concurso para a obra. Já temos variada situações destas, mais uma habilidade a juntar a tantas outras. Conta-se aqui na nossa zona uma história, dada como verdadeira, que um individuo que tinha uma loja com enchidos foi enganado por outros indivíduos que lhe “sacaram” umas linguiças para ir fazer um petisco e quando ele descobriu ficou de tal modo impressionado pela artimanha com que o enganaram que terá dito: “ Não sei vos bata, se vos dê mais linguiças” e assim parecem estar muitos portugueses, que mesmo percebendo que foram enganados, a fazer fé nas sondagens, parece que estão dispostos a dar-lhes mais linguiças. Obviamente que a manter esse comportamento, a honestidade intelectual não será certamente a característica dominante dos políticos deste país, mas não podemos queixar-nos deles, podemos queixar-nos é de nós próprios que escolhemos votar em pessoas que já sabemos estarem na disposição de faltar à verdade ou de a distorcer para conseguirem os nossos votos, somos nós que os colocamos no poder mesmo sabendo que a seguir nos vão iludir com truques e malabarismos ou até levar o país de novo à bancarrota. É claro que uma mentira risonha é sempre mais agradável que uma verdade triste, mas será que vale a pena continuar a viver de ilusões e de esperanças nunca realizadas e continuarmos a hipotecar o futuro? Muitas vezes temos de fazer o esforço de sacrificar o que queremos hoje para ter algo melhor amanhã, porque do céu só cai chuva e nem essa cai quando nós queremos.

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