Segurança

Temos assistido nos últimos tempos a várias situações de protestos violentos em vários países e por razões diversas, que culminaram também em situações similares no nosso país. Os climas de instabilidade são muitas vezes um terreno fértil para forças extremistas que na ânsia ganhar protagonismo e enfraquecer a autoridade do estado nem se apercebem que são as principais causadoras da aceitação de medidas de segurança reforçadas, muitas vezes limitadoras da liberdade. Na pirâmide das necessidades humanas, a segurança surge quase invariavelmente em segundo lugar, logo a seguir à alimentação e não raramente assistimos a sociedades democráticas fazerem cedências de liberdades e garantias em troco de uma maior segurança. Todos sabemos que por vezes as forças de segurança podem exceder-se, são seres humanos e há situações que poem à prova os limites da serenidade do individuo, muito embora essas situações também muito raramente ocorram sem provocação e resistência à actuação dessas mesmas forças. O que certamente não é resposta é a violência gratuita e o ataque político e concertado à dignidade e à autoridade dos corpos policiais que garantem a segurança das pessoas e bens. Quando as forças policiais são recebidas à pedrada, não se pode esperar que fujam, só os inconscientes podem ter essa expectativa, o cumprimento do seu papel e dever perante a sociedade determina que usem a força necessária para cumprir a sua missão e por muito estranho que pareça, é o poder cumprir a sua missão, sendo respeitada por todos a sua autoridade, que garante as nossas liberdades e que garante a nossa segurança. Algumas coisas começam a ficar invertidas na nossa sociedade, quantas vezes ouvimos comentar que as autoridades policiais prendem um delinquente e este acaba por sair do tribunal primeiro e a autoridade é que ainda é criticada, quantas condenações e repreensões já vimos por situações completamente imponderáveis em que se exige que as forças da ordem quase que adivinhem circunstâncias inimagináveis, enfim, até o nosso sistema judicial parece estar a começar a perder o norte e não garantir a autoridade essencial do estado. As forças de segurança, as tais a quem recorremos quando nos sentimos ameaçados, têm de também sentir-se seguras, protegidas pelas leis e pelos agentes públicos que as tutelam e também por aqueles que possam vir a ajuizar a sua actuação, para que possam exercer as suas funções com confiança e garantir o serviço público para o qual foram criadas. Mas voltando ao essencial, se deixarmos descarrilar a questão da segurança, levando a sensação da sua falta para patamares muito elevados, não estaremos a defender as nossas liberdades, estamos sim, a abrir caminho para que a sociedade aceite perder liberdades para ter segurança e esse é um caminho muito perigoso, o qual aqueles que promovem os ataques à autoridade estão na verdade a ajudar a abrir e, em lugar de estar a defender os direitos e liberdades conforme apregoam, estão a começar, na realidade, a semear os terrenos para a sua redução ser aceite pela sociedade como contrapartida pela segurança desejada. O respeito mútuo entre as autoridades e os cidadãos é a única garantia de equilíbrio sustentável entre liberdades e segurança.

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