“Terror dos multibancos”

“Terror dos multibancos”

Ao longo da nossa vida perdemos imenso tempo, com nada, se formos contabilizar isso em anos, somos capazes de ainda ter uns quantos anos de vida que já não vão ser utilizados cá, esse crédito é-nos dado no portão em frente ao São Pedro, ficará no nosso historial e de nada nos servirá. Agora com os pezinhos cá na terra onde é que nós perdemos tempo? O meu cérebro passa o detetor de tempo perdido e depressa concluí que é muita coisa, demasiada informação para ser processada aqui e agora. Somos todos muito diferentes e o que para mim é uma perda de tempo para vocês pode não se, ia arranjar aqui em menos de nada um debate de dias e não me apetece perder tempo com isso. Cá está, a terrível forma de me esquivar ao assunto com categoria. Generalizar não é meu forte, mas no que toca a coisas em particular já é. Acabei por perceber que há uma situação em que perdemos tempo, mas ao mesmo tempo ganhamos tempo, possivelmente das poucas em que estamos todos de acordo. Confusos? Cá vai o caso prático, nós quando vamos a um multibanco fazer um misero levantamento, chegamos ao primeiro está “fora de serviço”, a correr para o segundo damos logo de caras com a cruz em cima da nota que está no ecrã ( apesar de existirem pessoas que não vêm isso… ) este não tem dinheiro, aqui já o nosso nível de inquietação está a 70%, corremos para a terceira opção, já vai ter de ser ali e acontece o pior, na nossa frente “o terror dos multibancos”, que é aquela pessoa que tem faturas na mão para efetuar o pagamento, 3 cartões de contas diferentes e a capacidade de confirmar cada talão que sai da máquina com cada papelinho que tem na mão, avançando para o próximo só quando tem a certeza que fez bem o anterior. É aqui meus senhores e minhas senhoras, é aqui que nós atingimos a inquietação a 99%, é nesta situação que nos apetece dizer “olhe só preciso de levantar 10€ dá para o fazer aí nesse intervalo em que você confere as coisinhas todas e muda os cartões da mão direita para a esquerda, vai ver que não dá por mim!” Só que não, não temos essa coragem, acabamos por ficar ali a arfar, a olhar para o relógio, a perceber que dois minutos podem ser 24horas e o que fazemos inconscientemente enquanto esperamos? Pensamos em trinta mil coisas: “será que tirei a loiça da máquina? O que faço eu amanhã para o jantar? Ainda tenho de passar no supermercado e agora o que é que me faltava? Tenho o carro em segunda fila será que liguei os 4 piscas? Hoje o mais pequeno tem natação, o pai vai buscar o mais velho ao hóquei, tudo controlado. Qual será a tendência da próxima estação? Se Maomé foi até à montanha porque é que a montanha não veio até Maomé? Isto não me soa bem, não deve ser assim. “ Finalmente chega a nossa vez, saímos a correr e quando voltamos à realidade, já nada do que ali se passou interessa, já estamos outra vez desconectados e prontos a desperdiçar tempo. Conclusão, se virmos bem a situação, ainda temos que agradecer ao “terror dos multibancos”. Aqueles dois minutos eternos que perdemos ali, fazem-nos ganhar 30 por conseguir pensar ali um bocadinho sobre a vida. Tempo gasto com tempo ganho. Ou sou só eu a pensar assim?

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