Demografia e interioridade

Todos reconhecemos o problema demográfico que o país atravessa, com especial incidência nos municípios do interior. Quer as políticas nacionais, quer as políticas locais são instrumentos importantes para resolver ou, ao menos, minimizar este problema. É sabido que, infelizmente, o poder central tem feito muito pouco para contrariar esta tendência de desertificação e de envelhecimento da população. Apesar de muitos anúncios de medidas para promover o desenvolvimento do interior do país, nem todas são levadas à prática e, aquelas que o são, não têm demonstrado real eficácia. As autarquias locais têm, por isso, que assumir um papel preponderante na solução deste problema, sob pena de continuarem a ver os seus territórios a desertificar. A Câmara Municipal de Moura deu início, no no passado, a algumas medidas que, apesar de terem um impacto limitado, são obviamente de saudar. Entre elas destacamos o apoio à natalidade e a distribuição gartuita de fichas escolares às famílias. Para além destas e outras que foram implementadas, existem ainda outras medidas ao alcance da autarquia mas, nenhuma delas será muito determinante. São medidas de carácter social que, sendo úteis para minimizar as carências de determinados sectores do tecido social do concelho, nunca conseguirão, por si só, inverter a tendência que se vem verificando desde há muitos anos a esta parte. Aquilo que poderá determinar a inversão desta tendência é uma alteração significativa do ambiente económico local. Só quando a economia local começar a crescer e com ela o emprego, se poderá notar uma alteração do paradigma de desertificação que Moura, como a generalidade dos concelhos do interior, enfrenta. Isso depende das políticas municipais mas também, porventura mais ainda, da iniciativa privada. Por isso, a Câmara deve promover todo o apoio à iniciativa privada e, também, apostar na criação de um clima de confiança que permita o aparecimento de investidores externos. A iniciativa privada local nunca será suficiente para originar grandes alterações à realidade actual, importa por isso, criar condições para despertar o interesse de capital externo. Esse clima de confiança parece estar a emergir. Notam-se sinais que apontam nesse sentido. Basta vermos alguns exemplos que são já sintomáticos de que o concelho começa a ter capacidade para atrair investimento. Podemos deixar alguns exemplos disso, lembrando o investimento da Central de Cervejas nas Águas Castello, a candidatura aprovada para a conversão do Convento do Carmo numa unidade hoteleira e o interesse de uma empresa inglesa em investir na fábrica de painéis, o qual parece que irá concretizar-se em breve. São exemplos como este, a par de um conjunto de investimentos que a autarquia vai colocar no terreno proximamente, que poderão levar este concelho para um patamar onde já esteve em tempos e passar a ser novamente uma terra de progresso. O futuro dirá, mas os sinais são de esperança.

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