“Cabelo, cabelo”

Deus quando pôs Adão no Mundo passou-lhe o gene onde consta a informação que o cabelo deve ser encaracolado, o catraio colocou a Eva a seu lado e passou-lhe o gene, procriaram e normal que os descendentes viessem também com o cabelo cheio de caracóis. Foi de certeza na altura que comeram o ditoso fruto proibido que surge a “deficiência” que altera a constituição do cabelo, passam a ser expressamente lisos ou então com aqueles jeitos que uma pessoa não consegue bem definir em que padrão se encaixa. Só passados uns anos é que se chega a um consenso, ok, o meu cabelo faz parte dos “rebeldes” a atirar para os indomáveis. Já pensei em mandá-lo a fazer um estágio para um circo de nome, podia ser que algum domador experiente desse conta dele e devolver-mo domesticado. Não tenho grande paciência para dar conta dele, sei que há imensossssssssss produtos para o acalmar e perco imenso tempo às vezes a olha para uma prateleira de supermercado a tentar perceber qual o mais indicado para o meu tipo de cabelo. Não poderia a coisa ser mais simples: shampoo que saca dum chicote e põe o dito em tempero em menos de um minuto, ou então, shampoo que quando aplicado nos ponha ali na frente de um verdadeiro rebelde e nos deixe o cabelo liso só do vêr, tal é o medo que ele possa variar. Nada? É preciso haver tanta variedade que deixa uma pessoa confusa com vontade de o cortar à rapa?! Coisa essa que só cabe na minha imaginação, odeio cortar o cabelo, sou daquelas meninas que decide arriscar um corte radical até pisar o tapete da cabeleireira, assim que entro solto logo um: “só quero cortar as pontas ok?”. E quando falo em pontas é um dedo deitado, refastelado, desmaiado. Nem mais, nem menos. Não me interessa que esteja espigado, que esteja mais fraco, NINGUÉM me consegue dissuadir desta minha decisão que tomei até ao fim da vida. A única que está sempre certa. Sofre-se demasiado na infância quando as mães podem opinar sobre os nossos cabelos, “faz-lhe uma franja”, “corta por baixo da orelha”, “corta à rapaz”. Esta última talvez a que me deixou devastada, tudo por causa duns piolhos que decidiram habitar na minha cabeça e essa teve que ser a derradeira solução para me livrar dessa infestação, na altura até não custou cortá-lo, o que custou foi entrar na escola e haver um menino desocupado ( beijinho para ele.. ) que decidiu informar todos os alunos no intervalo que havia um miúdo novo na Escola. Passei parte das semanas seguintes a entrar na escola com um casaco na cabeça e a bater em quem ousasse chamar-me de menino. Ah, mas o cabelo cresce rápido!!! Nãooooooooooo, o cabelo leva muito tempo a crescer, na minha ótica o mesmo que uma oliveira até se tornar centenária. Não tentem contar-me histórias e trazer-me em mão estudos que comprovem o contrário que eu não quero saber. E parte de vocês deve estar a pensar “e o que temos nós a ver com o teu cabelo?” Rigorosamente nada. Há outra percentagem que pensa “são mesmo dramas de mulher!” Curiosamente têm um bocadinho de razão, creio que as que têm o cabelo liso querem à força ter caracóis, as que têm caracóis querem à força ter o cabelo liso. E onde se enquadram as pessoas como eu com cabelos com vida própria que em dias de chuva até os oiço respirar tal é a vontade os sacanas têm de correr Mundo. Posso esfregar a lâmpada do Aladino e pedir três desejos? Quero ter quinze dias caracóis, quinze dias liso e dia nenhum ter que o ter molhado. Não gosto dessa sensação e seria bem mais feliz se não tivesse que o lavar. Calma, não vou agora andar aí a escorrer a oleosidade pelos ombros abaixo, um cabelo destes com tanta vida, tão independente, podia bem optar por estar sempre impecável, talvez assim eu até gostasse mais dele.

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