Amareleja – Apontamentos para a origem do seu topónimo

Amareleja – Apontamentos para a origem do seu topónimo

A região de Amareleja foi sempre habitada ao longo dos anos, possivelmente desde a pré-história, tendo sido encontrados nesta região vários vestígios arqueológicos de diferentes épocas, embora os mais abundantes pertençam à época romana. Não foram encontradas no entanto nenhumas inscrições, fator que resulta possivelmente da existência de atividades unicamente pastoris e não guerreiras dos seus primeiros moradores. Ainda que a sua posição geográfica seja muito próxima da fronteira espanhola, não possui no entanto nenhum baluarte fronteiriço composto por muralhas ou castelo (1). A informação acerca da sua fundação é muito vaga, e não especifica se a mesma se refere à formação do aglomerado populacional ou se à criação da Igreja Matriz, ou até mesmo a existência de alguma carta de doação. Embora não existam muitos documentos paroquiais anteriores a 1534, o nome desta povoação já é mencionado no Censo de D. João III (2), comprovando assim ser falsa a afirmação que dizia que Amareleja foi formada por gentes de Santo Aleixo, que ali se refugiaram durante a Guerra da Restauração depois de um ataque dos espanhóis. Foi repovoada entre os séculos XIII e XIV, e terá sido nesta altura ou até meados do século XV que o núcleo populacional se fixou e tomou forma, fator determinado sobretudo pela construção da capela de Santo António, padroeiro do gado e dos rebanhos, sendo este o primeiro local de culto desta localidade satisfazendo assim as necessidades religiosas dos moradores. O lugar de “Mareleja” terá sido provido de assistência religiosa por volta de 1481 depois de reunidas as Cortes da cidade de Évora em Novembro desse ano. No século XIII já o termo de Moura se encontrava sob a jurisdição da Ordem do Hospital (3), à qual foi entregue por D. Sancho II. Podemos mesmo admitir que a constituição do primeiro aglomerado tivesse a influência desta Ordem, que como se sabe favorecia o agrupamento de pastores e rebanhos vindos de diversas partes do reino. O local onde os pastores juntavam as suas malhadas teria sido o sítio ainda hoje chamado “Montinho” ou a parte da Vila denominada “aldeia velha”. Não se conseguindo apontar a origem do nome com total exatidão, durante anos a hipótese para o aparecimento da sua designação foi sustentada na opinião popular de que o seu topónimo terá surgido devido à abundância de flores amarelas nos seus campos, levando os primeiros povoadores a denominarem este local como “Campo das Amarelas”. Chegou mesmo a ser admito que a abundância do amarelo se devesse ao trigo, que foi durante muitos anos a principal produção da freguesia. O padre João Rodrigues Lobato diz que esta localidade foi denominada “Agravia” baseando esta hipótese num mapa da província do Alentejo datado de 1762, no entanto tal suposição é de todo incorreta uma vez que um mapa da mesma área mas datado de 1779 situa as localidades “Agravia” e Amareleja em locais distintos, esta última apresentada com a grafia “Amarilhosa”. “Agravia” ou “Aldeia Gravia” situada no respectivo mapa entre Amareleja e Mourão corresponde ao local onde se situa atualmente a Aldeia da Granja. Devemos ter em atenção o facto dos referidos mapas serem produzidos em Inglaterra, e a maioria dos topónimos não aparecerem escritos de forma correta, uma vez que as traduções não eram de todo fiéis ao original. Amareleja já era mencionada mas memórias paroquiais de 1758 com a grafia atual, provando que “Amarilhosa” como aparece no referido mapa é de facto um erro de escrita ocasionado talvez pela forma inglesa de pronunciar o nome. Em relação à origem do topónimo, o facto de existirem as tais flores amarelas neste local não pode ser entendido como um fator determinante para aparecimento do mesmo, até porque era comuns entre alguns autores considerar muitos dos nomes de sítios, localidades e regiões como fitotopónimos (4) por ser mais fácil do que estudar o tema em profundidade, tornando-os convincentes na medida em que era quase sempre possível encontrar nesse local várias plantas que justificassem o nome. Tal hipótese ganha ainda menos consistência se atendermos ao facto de existirem plantas da mesma espécie sobre grandes extensões de terreno e em diferentes locais, situação contrária à técnica de nomeação dos sítios pelos “rurais” que obedecia à lógica da unicidade ou individualidade, pois para que não se confundissem os locais, os nomes atribuídos deviam possuir um elemento na sua designação que os tornasse inconfundíveis. A título de exemplo pode-se referir os topónimos “Tojeira Branca” e “Tojeira Preta” cujas denominações obedecem de certa forma a esta lógica possuindo cada uma delas um elemento identificativo que os diferencia. O aparecimento do nome “Amareleja”, ou inicialmente “Mareleia”, pode sim ser justificado pela atividade pastoril da região e o seu topónimo derivar diretamente da palavra “Marel” (5), o termo era utilizado para designar um animal reprodutor. Os pastores ao juntarem ali os seus rebanhos terão começado a designar o local como “Mareleia”, ou seja um conjunto de animais reprodutores, servindo o mesmo termo para nomear o local onde os mesmos se concentravam. O mesmo nome é apresentado num documento de 1695 já com a grafia “Mareleja” que por etimologia popular terá substituído o “i” pelo “j”. No ano de 1706 era esta localidade mencionada como “Lugar de Mareleja”. Esta hipótese ganha mais credibilidade se atendermos ao facto de nos últimos anos se começar a admitir a hipótese da povoação ter sido formada a partir de pastores transumantes, que desde o início da nacionalidade ali acampavam vindos de Espanha e da região das Beiras. Estes ciclos transumantes de deslocação dos rebanhos para as terras do sul moldaram de certa forma, enquanto movimento cíclico e secular, a cultura alentejana bem como a paisagem rural do sul e nomeadamente a arte funcional do fabrico de tecidos, mantas e tratamento das lãs (6). A forma popular de mencionar esta localidade “a Mareleja” da mesma forma que se menciona “a Póvoa” ou “a Estrela” deverá ter dado origem ao atual topónimo, através da junção do artigo “a” com o nome “Mareleja”. Amareleja foi elevada a Vila em 20 de Junho de 1991, tendo o projeto-lei sido apresentado em 4 de Abril de 1990.

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