«Alerta!! Pelos Burros»

«Alerta!! Pelos Burros»

Tenho um carinho especial por burros. Nunca tive nenhum, mas já estive próxima de alguns. Revelam-se animais dóceis e mais astutos do que a fama fez prever. Cruzei-me há dias com este livro «Alerta!! Pelos burros» e achei que valia a pena perceber melhor do que se trata. A zebra, animal da mesma família dos equídeos, nativos de África, deve o seu nome a um burro selvagem que habitou, até a Idade Média, o território que é hoje Portugal. Esta é uma das curiosidades que o ex-jornalista Paulo Caetano partilha no livro «Alerta!! Pelos burros». Existia um burro selvagem designado por o Equus hydruntinus. Chamavam-lhe zebro porque tinham zebrinas no pelo. Mesmo depois da sua extinção, a sua memória permaneceu através dos nomes de lugares como Vale do Zebro, Zimbreira, Zebreira. O autor apurou que os equídeos africanos, atualmente conhecidos como zebras, devem o nome a missionários portugueses que, durante uma expedição ao Cabo da Boa Esperança, no extremo meridional de África, avistaram grandes manadas de cavalgaduras riscadas. A semelhança com o zebro era tal que decidiram chamar-lhes zebras. Paulo conta também que descobriu a existência de veterinários/investigadores que se dedicam e fazem teses de doutoramento à volta da conservação do burro. Há um capítulo que fala de um dentista de burros e de um médico que cuida do sistema reprodutor dos burros. O trabalho como jornalista conduziu muitas vezes Paulo às aldeias do interior do país onde diz haver uma relação de «equilíbrio entre o mundo rural e natural». O título, editado pela Bizâncio, revela desde logo a premência de salvaguardar o animal. Paulo relata o uso do burro em tempos pretéritos e os motivos que conduziram quase à sua extinção. A obra traz também uma perspetiva otimista porque o autor revela as iniciativas existentes no país e que têm por base este animal de olhar meigo e porte afável. Um pouco por todo o país ainda se utiliza o burro, por exemplo em Mafra e no Algarve na asinoterapia [uma prática equestre que utiliza o burro como instrumento terapêutico], em passeios de burro na zona de Sintra, também em Mafra e Litoral Alentejano. Utilização do leite de burra para fins cosméticos. E, claro, como animal de companhia, sobretudo em Trás-os-Montes. As histórias do livro resultam das vivências de Paulo nas aldeias, das conversas com as gentes da terra, mas também com cientistas e investigadores.

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