Meio Parvo ou Parvo e Meio?

Acabei há pouco de assistir num dos canais televisivos a uma reportagem relativa aos famigerados CMEC, Custos de Manutenção de Equilíbrio Contratual. Ou seja, aos mecanismos legais que levam o Estado português a pagar à EDP rendas que muita gente considera excessivas.

E por mais de uma vez, ouvi anteriores responsáveis do sector, referirem terem cometido alguns erros, por falta de experiência nesta área ou por falta de informação suficiente que fundamentasse as decisões então tomadas.

Curiosamente, ou talvez não, os erros e enganos foram sempre em prejuízo do Estado! Nenhum a prejudicar a EDP.

Acabada a reportagem, veio-me à memória uma história que um amigo amarelejense me contou, passada com um velho agricultor, figura muito popular na aldeia, hoje vila, pelo seu sentido de humor e boa disposição.

O nosso agricultor tinha uma pequena seara de trigo, contígua a uma outra de um seu conterrâneo.

Acontecia todos os anos, que o nosso protagonista, na altura da recolha dos molhos já ceifados, para além dos seus, recolhia também alguns do seu vizinho que estavam perto da fronteira entre as searas.

O seu vizinho, que nunca se tinha queixado, naquele ano não se conteve” Oh vizinho, tenha lá paciência, mas esses molhos estão do meu lado, não do seu!”. Ao que o mais velho respondeu “tem razão vizinho, sou eu que já estou meio parvo!”.

“Está meio parvo, mas engana-se sempre a seu favor, nunca do meu!”

“Amigo da minh´alma, eu estou só meio parvo! Se me enganasse a seu favor, estava já era parvo e meio!”

E lá continuaram até que o Sol se pôs no longínquo horizonte da planície alentejana.

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