Cáritas de Beja chama a atenção para a “falta de dignidade humana” nas famílias

Cáritas de Beja chama a atenção para a “falta de dignidade humana” nas famílias

O relatório apresentado pelo Instituto Nacional de Estatística sobre as Condições de Vida e Rendimento realizado em 2022, sobre os rendimentos de 2021, indicou que 16,4% das pessoas estavam em risco de pobreza, menos 2,0 pontos percentuais (p.p.) do que em 2020.

Estes dados significam que quase 1,7 milhões de portugueses viviam, segundo o Jornal Expresso, com menos de 551 euros por mês, abrangendo todos os grupos etários, mas com especial incidência na faixa da população mais idosa, com 3,1 de p.p.
Apesar destes dados serem positivos, Márcio Guerra da Cáritas Diocesana de Beja, apontou alguns itens essenciais daquilo que é a realidade no distrito. “Sobre as questões sociais e de pobreza, de uma forma geral na nossa diocese e ao longo destes três anos, tem existido um aumento significativo dos pedidos de ajuda, uma realidade infeliz, que não é desconhecida”.

O técnico superior formado em Animação Sociocultural, que exerce funções na instituição desde 2008, chamou a atenção para uma questão importante dos dados do INE. “São relativos a 2021, não deixando de dizer que os aumentos do risco de pobreza foram substanciais em 2019 e 2020. Em 2022 assiste-se pela primeira vez a um decréscimo”. Contudo, “sem ter um conhecimento muito aprofundado sobre os valores nacionais”, o responsável ponderou que provavelmente nestes números, houve influência das “políticas públicas e sociais por um lado e por outro, das instituições privadas de solidariedade social e a própria Cáritas que deram o seu contributo através da sociedade civil e de campanhas como a de Inverter a Curva da Pobreza, lançada em 2020 e que ainda está a decorrer”. A entrega de donativos é canalizada para o apoio social que a instituição presta.

Muito cauteloso nas palavras, Márcio Guerra adiantou ainda que apesar dos dados efectivos da estatística, “não devemos ‘embandeirar em arco’ destes números que são lançados, porque por detrás deles estão rostos, pessoas e famílias concretas que passam dificuldades”. E foi mais longe: “Em Portugal existem dois milhões de pessoas em risco e pobreza e a viverem naquilo que é uma falta de dignidade humana do seu dia a dia, que nos deve incomodar e interpelar a todos para que prossigamos um caminho de compromisso e de resposta”.

É desta forma que a Cáritas Diocesana de Beja se pronuncia sobre o relatório do INE em que aponta uma descida da pobreza de 16,4% em 2021, em Portugal.

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