A Planície entrevistou o “Minuto”. Uma vida dedicada ao Cante Alentejano

A Planície entrevistou o “Minuto”. Uma vida dedicada ao Cante Alentejano

Joaquim Leandro Grosso, mais conhecido por “Minuto”, de 88 anos, dedicou a vida ao Cante Alentejano. A homenagem recente feita pelo Grupo Coral da Casa do Povo – Os Ceifeiros de Amareleja, ao seu mestre, foi um momento marcante para uma das maiores referências culturais do Alentejo.

A propósito deste tributo, a Planície entrevistou “Minuto” e com a emoção nas palavras, o Cante é alma para Joaquim Leandro Grosso. “Acho bem a homenagem. Foi a primeira a ser feita em vida”, referiu com alento. Esta arte surgiu na sua vida enquanto trabalhava, “onde havia modas próprias” para aliviar o cansaço das tarefas do campo e quando, no único dia de descanso, o domingo, “ia à taberna beber um copinho e começava logo a cantar com a “jaqueta à cinta”. O mote estava dado e bastava um cantar para os outros acompanharem. “Até discutia a bom fim, com um a cantar uma moda e outro a cantar outra e arremedávamos sempre com grande vontade para que não acabasse”.

Assim que teve idade, entrou para o grupo e mais tarde ficou o responsável, função que o deixou “muito contente porque eu gostava muito do Cante”, onde ficou mais de trinta anos também como ensaiador.
Cantou até tarde, mas com o desgosto pela morte da mulher, perdeu essa vontade. Sobre o Cante nos dias de hoje lamenta. “O Cante Alentejano já vai perdendo iniciativa, já não há ninguém que olhe por ele e alguns que há, assim como eu, já não são capazes. E a malta nova não gosta muito do Cante Alentejano, gosta mais de fados e guitarradas”.

Voltou a recordar-se da “labuta” no campo, mas só em alguns, como na “aceifa”, nos cortes e enquanto varejava as azeitonas nesta altura do ano, as vozes dos homens entoavam pelos campos do Alentejo. As “modas” bonitas “fazíamos nós. Fiz algumas sete ou oito dedicadas ao trabalho no Alentejo. Todas as sextas-feiras ensaiávamos e já depois de feitas, ainda se corrigiam. Tínhamos todos vontade”.
O grupo, na altura de “Minuto” nunca foi ao estrangeiro, mas correu alguns sítios no país, onde deu a conhecer mais um bocadinho deste recanto do Alentejo de cantares de vidas e de gentes especiais.

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