Moura: Obra do Convento do Carmo está suspensa. Disse à Planície o promotor

Moura: Obra do Convento do Carmo está suspensa. Disse à Planície o promotor

No âmbito do Programa Revive, foi adjudicada em Agosto de 2019 a concessão do Convento do Carmo, em Moura, à gestora do Convento do Espinheiro, Sociedade de Promoção de Projecto Turísticos e Hoteleiros (SPPTH), para a criação de um hotel de cinco estrelas, o primeiro no concelho e com inauguração prevista para este ano.

As obras começaram em junho de 2021 e a expectativa de mudança do paradigma do turismo no concelho de Moura e na região, era muita. Num cenário ideal, sempre com alguns atrasos previstos como se sabe que acontece quando se trata de grandes empreitadas, no final de 2022, seria possível abrir o espaço. A oferta de 50 quartos, spa, piscina interior e exterior, está agora mais longe de ser concretizada. 

A Planície conversou com o administrador do Grupo do Convento do Espinheiro, em Évora, Nuno Camacho, que começou por dizer que neste momento, a empreitada “está suspensa por causa das questões Antropológicas”, ou seja, o local era um antigo cemitério e à medida que as escavações prosseguiam, foram encontrados até à data, mais de 500 corpos. “Investimos um milhão, cento e vinte mil euros, dos quais 360 mil euros, em exumações de corpos”, processo que foi acompanhado por “uma equipa de 20 pessoas, entre arqueólogos e antropólogos”, contou Nuno Camacho.

“Tudo isto implica custos e tempo. Já alterámos o projecto todo, já demos entrada na Câmara (Moura) e já alterámos as especialidades. Agora, estamos à espera que saia o 2030, porque já perdemos o 2020”. O administrador esclareceu ainda que concorrera ao Fundo Europeu 2020 e “foi aprovado, mas perdemos porque não conseguimos cumprir os prazos” que estavam estipulados.

A única certeza que o grupo tem neste momento, é o dinheiro que já investiu, mais de um milhão de euros, em “projectos, arqueologia, sondagens, escavações” e “está muito complicado, não é sustentável. Não sei se vamos conseguir recuperar o valor”, mas a esperança reside no fundo 2030, “altura em que vou pôr a questão à tutela. Nós fizemos uma concessão, a responsabilidade dos ossos /corpos não é minha. E num concurso internacional como foi aquele, não estava nada referenciado que havia lá um cemitério. Estamos a falar de uma obra que eu concorri, estava tudo no caderno de encargos”, explicou o responsável. 

Mesmo com o estado de espírito pautado por alguma incerteza, Nuno Camacho não deixa de acreditar neste projecto: “É maravilhoso. Foi investido muito dinheiro para dar grande qualidade aos quartos, para ter um produto que não existe aqui” e numa primeira fase, “com a criação de 60 postos de emprego”, revelou.

Sobre o futuro do turismo no concelho de Moura, o administrador do Convento do Espinheiro “continua a encará-lo com bons olhos”. Por essa razão, o investimento no hotel de charme, num antigo palacete na Rua 5 de Outubro, em Moura, “está a andar muito bem”. A previsão de conclusão da obra é “até ao final do ano, para abrir em Março do ano que vem”. São nove quartos de luxo, restaurante e piscina. “É uma oferta para um público que quer exclusividade, com grandes quartos e que quer viver uma experiência diferente da que vive num hotel normal, como é o caso dos conventos que proporcionam às pessoas, experiências novas”, afirmou.

Com um capital financeiro de cerca de um milhão e seiscentos mil euros, o novo projecto, segundo o gestor, vai ter “seis postos de trabalho para começar, sem contar com o restaurante”, que será na antiga cocheira do palacete, um espaço diferente, “com sabor alentejano, mas com outro tipo de apresentação”.

E porque sem conhecimento, não se concretizam sonhos, neste momento são três as pessoas de Moura que estão a receber formação no Convento do Espinheiro, em Évora, para o hotel de charme que se prevê de portas abertas no primeiro trimestre de 2023, em Moura.  

Com uma visão de negócio a projectar o futuro, Nuno Camacho adiantou ainda que estão pensados mais negócios na hotelaria para o concelho de Moura, mas remeteu-se ao silencio para já. “Neste momento não posso falar”.

Nesta conversa com a Planície, o administrador do Grupo do Convento do Espinheiro falou sobre a suspensão da obra do Convento do Carmo, a abertura do hotel de charme no centro da cidade e a aposta em novos projectos hoteleiros para o concelho. 

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