Pesca em Alqueva desenvolve-se com o lagostim e o peixe do rio – Entrevista com João Cortez

Pesca em Alqueva desenvolve-se com o lagostim e o peixe do rio – Entrevista com João Cortez

Uma das áreas que mais desenvolveu com o Alqueva, foi a actividade da pesca de lagostim e peixe do rio, mas despreza-se na região uma das espécies de melhor qualidade capturadas na barragem: o sável.

O Grupo Cortez, criado pelo mourense João Cortez, apostou neste sector e tem corrido bem. “Não falamos só de Alqueva, mas de tudo o que está adjacente à barragem, o que nos ajudou a criar uma oportunidade de negócio e a empresa Grupo Cortez”, assegurou o empresário à Planície.

“A nossa principal actividade é a pesca de lagostim e peixe do rio”. Neste caso, existe “um acordo com as grandes superfícies e intermediários, onde nos garantem quase todo o escoamento que conseguimos obter”.

O negócio também é feito com Espanha, já que a empresa de Moura “representa quatro fábricas espanholas de lagostins, onde é feita a recolha directamente”, afirmou o pescador.

Com os recursos desenvolvidos, houve a necessidade de legalizar o processo, como explicou João Cortez, “com a criação de uma associação devidamente legalizada para fazer a actividade da pesca do lagostim”.

Também o sector da pesca foi afectado pela seca e o balanço do verão não é animador. O empresário mourense disse à Planície que “a nível de pesca de lagostim foi mediano, ou seja, foi metade dos outros anos. A falta de chuva teve muita influência, sentimos essa carência e o lagostim não se reproduz da mesma forma”, disse.

Desde Agosto para cá, a pesca do famoso crustáceo que se dá em águas do Alentejo, é feita nos arrozais, onde o Grupo Cortez conta neste momento com a colaboração de alguns pescadores na apanha.

A pesca é a principal actividade de João Cortez, mas não a única. A empresa dedica-se à prestação de todos os serviços náuticos e é o principal parceiro da EDIA. O trabalho passa “pela colocação de boias de sinalização, de sondas e de barreiras, pela recolha de jacintos de água e pela recolha de água para análises”, sendo esta última feita mensalmente por uma equipa alocada só a essa função.

“Fazemos as análises todas das barragens pertencentes à EDIA” e o trabalho neste caso, “passa um pouco por isso, pelo controlo de espécies invasoras”, afirmou.

E, ao contrário de outras barragens, o lagostim em Alqueva só se apanha de verão, no início de “abril, maio com a pesca intensiva e pode ir até finais de agosto. Em Castelo de Bode, também se pescam de inverno”, explicou o pescador.

Durante a entrevista, João Cortez fez questão de falar sobre a pesca do sável e mostrar a sua indignação pelo quase desprezo deste peixe na região. “Na Barragem de Alqueva, a partir de fevereiro, é onde se captura a melhor qualidade de sável do país, um peixe que se aproveita as ovas para fazer um prato típico do Ribatejo – sável frito com açorda de ovas. Como comercializo esse peixe para todo o país, fico indignado como é que temos uma iguaria destas e não a exploramos”.

João Cortez vai mais longe: “A seguir ao lagostim, é o peixe que nos dá mais rendimento e nos faz sobreviver neste negócio. Levamos o lagostim para Espanha e o sável levamos de Évora para cima. É onde exploram melhor o peixe e nós não”.

O responsável do Grupo Cortez assegurou que na iniciativa gastronómica “Sabores do Rio”, que decorreu em Julho, deu a conhecer o sável aos restaurantes da cidade. “Não temos problema em fornecê-lo de borla (aos restaurantes) para fazerem experiências”.

Por isso, espera que haja uma maior aposta desta espécie de qualidade na região.

Neste negócio, conta que não começou sozinho e não esquece a ajuda do Intermarché no alavancar da actividade. “Temos uma parceria com o Intermarché, que sempre acreditou em nós, de garantir peixe fresco ao fim de semana”.

O sucesso comercial de João Cortez deve-se também ao cumprimento do calendário do Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas no chamado período do defeso. “Todos os anos o ICNF lança um calendário de pesca com o que se pode e não pode pescar, os meses e quando se deve pescar”.

A apanha de lagostim e peixe de rio, como achigã, barbo, lucioperca e sável, umas das espécies mais apreciadas no Ribatejo e ainda pouco valorizada no Alentejo, faz do Grupo Cortez uma empresa de referência.      

Sável frito com açorda

INGREDIENTES

700 g de postas finas de sável; 500 g de pão de mistura ou alentejano duro; 6 dentes de alho; 200 ml de azeite; Sumo de 1/2 limão; 300 ml de caldo de marisco; 1 folha de louro; 1 ramo de coentros; Sal e pimenta branca q.b.; Farinha de milho para polvilhar; Óleo para fritar.

PREPARAÇÃO:

Tempere o peixe com sal e o sumo de limão. Demolhe o pão em água, escorra-o e esfarele-o ou triture-o.

Leve ao lume um tacho com o azeite, o louro e os alhos laminados. Junte o pão, seguido do caldo de marisco quente, e mexa até se formar uma papa (se necessário, acrescente um pouco de água a ferver). Tempere com sal e pimenta, deixe ferver por breves minutos, depois acrescente os coentros picados, envolva e retire do lume.

Leve ao lume uma frigideira com o óleo e deixe aquecer. Passe o peixe por farinha de milho, sacuda bem, frite-o de ambos os lados e coloque-o a escorrer sobre papel absorvente. Regue a açorda com um fio de azeite e sirva-a com o peixe frito.

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