Produtores de porco alentejano satisfeitos com apoio do Governo

Produtores de porco alentejano satisfeitos com apoio do Governo

Foi publicada a portaria com a medida excepcional no PDR2020 no valor de 12,2 milhões de euros aprovada pela Ministra da Agricultura, Maria do Céu Antunes, para minimizar os impactos económico-financeiros causados pela pandemia Covid-19.

Esta medida visa apoiar os sectores onde os efeitos económicos negativos decorrentes da pandemia foram acentuados, e nos quais é possível avaliar o impacto, pela redução dos preços ou perdas de mercado em resultado da diminuição da procura.

Este apoio, através de um pagamento forfetário, destina-se aos sectores da carne de aves, ovos, carne de suíno (leitões para abate – com majoração para raças autóctones, nomeadamente para o porco bísaro e o malhado de Alcobaça – e porco alentejano para montanheira) e leite de pequenos ruminantes.

Para o deputado do PS, eleito por Beja e presidente da Comissão Parlamentar de Agricultura e Mar, Pedro do Carmo, esta “é uma boa noticia. Era um compromisso que estava assumido e foi de uma luta que efectivamente tivemos, visto que a fileira do porco alentejano e outras raças autóctones em outras regiões do país e de outras espécies tinham que ser protegidas e contempladas neste momento de pandemia”.

“Senão o fizéssemos, hipotecávamos o futuro destas fileiras. Por isso é um apoio que é dado agora suinicultores e agricultores em geral, para que se mantenha a fileira e que no próximo ano haja melhores momentos”. Acrescentou Pedro do Carmo.

Por sua vez o presidente da Associação de Criadores de Porco Alentejano (ACPA), Nuno Faustino, saudou e considerou “essencial” o apoio do Governo para “minimizar os prejuízos” causados pela pandemia de covid-19 nesta fileira pecuária.

Por outro lado, frisou, o apoio é “tão mais importante no sentido em que vem dar um sinal de que o Estado está preocupado e quer que esta fileira continue”.

Nuno Faustino disse que, a par do apoio do Governo, a ACPA está a negociar com algumas instituições bancárias uma linha de crédito para os produtores de porco alentejano poderem “garantir a liquidez necessária”.

Segundo o presidente da ACPA, a dependência da fileira do porco alentejano relativamente ao mercado espanhol “é brutal”, já que cerca de 90% da produção vai para o país vizinho.

Em média, por ano, são vendidos vivos para Espanha 6.000 porcos alentejanos de montanheira (alimentados e engordados no montado) de cerca de 50 criadores do concelho de Ourique, num volume de negócios que ascende a 3,5 milhões de euros, indicou.

Estes números caíram drasticamente em 2020, porque a pandemia provocou uma quebra nas vendas de presunto e outros derivados do porco alentejano e, consequentemente, o cancelamento das encomendas que muitas indústrias espanholas tinham, apesar dos contractos plurianuais em vigor, lamentou Nuno Faustino.

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